PublicaçõesDr. Afonso Pires Diz

Artigos de Opinião - A Outra Versão

O ataque à Banca

Com o procedimento habitual da diabolização de instituições e sectores económicos com vista a distrair os portugueses dos assuntos e problemas que os afligem, veio, agora, o “Governo” lançar o opróbrio sobre a Banca Portuguesa. A “malvada banca” é acusada de ter muitos lucros e, pior, praticar o “execrável planeamento fiscal”, pagando assim menores impostos. Se não tivéssemos alertado quem nos lê, para esta prática com evidentes efeitos de propaganda descarada ou, no mínimo, subliminar, poder-se-ia correr o risco de alguém supor que estávamos a ver mal a questão, ou, pior, que estaríamos a fazer a nossa observação e inerente comentário sob a influência de eventuais preconceitos ideológicos, sempre reprováveis.

Infelizmente, hoje, ninguém tem dúvidas sobre esta abominável prática governamental. “Dividir para reinar” é apenas mais uma faceta maquiavélica de quem, usando promessas que não podia cumprir, se guindou ao poder enganando a maioria dos portugueses. Agora, é a vez da Banca subir ao pelourinho, após já o terem feito os médicos, os enfermeiros, os farmacêuticos, os magistrados, os professores e os funcionários públicos.

Mas, analisando pormenorizadamente a insídia, vejamos porque é que a Banca é agora o alvo escolhido pela “central da propaganda” governamental.

Em primeiro lugar, é propagandeado que a Banca tem lucros excessivos. Nós diremos, ainda bem que a Banca tem lucros. Excessivos? Porquê e por quem? Não serão antes resultados optimizados de uma correcta gestão das instituições bancárias? Ao longo da nossa vida profissional em empresas privadas e públicas de grande dimensão, nunca encontrámos uma profusão tão notável de gestores competentes como na Banca. Mesmo quando esta era “nacionalizada”.

Optimizar os recursos e minimizar os custos não é uma prática paradigmática recomendada nos bons manuais de gestão? E essa prática não deveria, também, ser prosseguida pelo Governo? Ao fim e ao cabo, quando o Governo fala dos “lucros excessivos da Banca” não está simplesmente a desviar a nossa atenção da gestão desastrosa que pratica? Sendo a Banca Portuguesa uma das melhores da Europa, quem se importaria que o Governo fosse tão eficiente como a Banca? No mínimo, para além da inerente qualidade dos serviços públicos, ganharíamos todos uma redução substancial dos nossos impostos.

Mas, como uma cínica preocupação, o Governo acusa a banca portuguesa de praticar o denominado planeamento fiscal. Será este um crime? Por exemplo, quando se louva Belmiro por ser campeão no mínimo pagamento ao Fisco estamos a admitir que o mesmo Belmiro é um criminoso? Desde quando é assim? Ainda esta semana lemos na imprensa que há várias empresas cotadas no PSI-20 que, comparativamente, pagam menos impostos do que a Banca. Mas, essas empresas não são citadas e regularmente auditadas pelo Fisco? Onde reside então o carácter criminoso do planeamento fiscal? Só na mente tortuosa de alguns membros deste Governo, certamente influenciados pela cartilha marxista que os formou (ou deformou?), é que existe essa maldade. Com efeito, se os bancos e as seguradoras recomendam o planeamento fiscal aos seus clientes propondo-lhes a subscrição dos PPR ou produtos financeiros equivalentes, porque razão a Banca e as suas instituições não deveriam dar o exemplo? Ou será que os fundos de investimentos e os PPR são ilegais?

Haja juízo, senhores governantes. Mesmo concentrados na luta pela sua sobrevivência ou anestesiados pelas telenovelas e futebol, os portugueses sabem “separar o trigo do joio”. A seu tempo darão o seu veredicto.

Afonso Pires Diz
Presidente da Direcção do SNQTB
Coordenador da USI