Publicações
Artigos de Opinião - A Outra Versão
Quadros Europeus escolhem Portugal
Na próxima semana realizam-se dois eventos que, enquanto quadros portugueses, nos enchem do maior júbilo.
Referimo-nos às reuniões da FECEC (Federação Europeia dos Quadros de Estabelecimentos de Crédito) e da CEC (Confederação Europeia de Quadros). Quais os motivos porque organizações europeias, tão prestigiadas, escolheram Portugal como local privilegiado da sua afirmação profissional e social? Oriundos de países da Europa avançada, como a Alemanha e a França, reúnem-se em Portugal, fundamentalmente, por dois motivos: dar a conhecer a profunda consciência do movimento social de quadros e, em segundo lugar, chamar a atenção para a absurda situação dos quadros portugueses.
Com efeito, actualmente, na Europa, os quadros, sejam dirigentes ou especialistas, desempenham um papel importantíssimo na dinamização do sector privado e na optimização da função pública, com o inerente crescimento da produtividade das empresas e numa maior racionalização do sector público ou do próprio aparelho do Estado. Enquanto actores fundamentais do desenvolvimento económico-social dos seus países, os quadros europeus estão presentes nos respectivos CES (conselhos económicos e sociais) e são, com naturalidade, consultados pelos seus governos nas decisões estratégicas antes de as mesmas serem adoptadas como políticas sociais.
Como aprovar uma constituição europeia se a Carta Social Europeia, após quase duas décadas sobre a sua declaração, apenas foi ratificada por uma minoria? Se “os direitos dos trabalhadores e os deveres dos patrões” não são reconhecidos por muitos governos europeus – e são os fundamentos da Europa Social – para quê construir um “ídolo com cabeça de oiro” se os pés continuam de barro?
Ora o cumprimento da Carta Social Europeia é uma premissa de que os Quadros Europeus não abdicam. Se as pessoas não se entendem nas fábricas, nas oficinas, nos campos e nos escritórios, como esperar que se entendam ao nível dos Estados e dos seus governos?
Os quadros portugueses para terem alguma visibilidade ou se organizam em movimentos cívicos, tipo “Compromisso Portugal”, ou têm de se filiar em partidos políticos. Estes e os nossos governantes, de qualquer matiz político, enchem a boca com apelos à organização da sociedade civil e à competitividade das empresas e da economia portuguesa. Em relação aos movimentos cívicos estamos conversados. Quaisquer outras organizações da sociedade civil são sempre vistas com desconfiança e são meramente toleradas por qualquer partido. Os partidos, sim, são a forma exclusiva de fazer política de acordo com o nosso “generoso” normativo legal. Porém, se um quadro se inscreve num partido político é sempre visto como uma estranha figura, a abater na primeira oportunidade. É essa a prática que tem sido demonstrada pela “malta dos partidos”.
Acaso os quadros portugueses estão representados no CES (Conselho Económico Português)? Não. Ou fazem parte das confederações patronais, juniores ou seniores, ou são, simplesmente, excluídos. A FENSIQ (confederação nacional dos sindicatos de quadros) não vive, vegeta. Limita-se a, de vez em quando, fornecer um ou outro dirigente à UGT. O PCP tem a sua confederação de quadros científicos, para papalvo ver, ou para a perfeita manipulação tão típica dos comunistas.
Finalmente, a CEC reúne-se em Portugal para apoiar os quadros portugueses que resistem a esta mistificação. Há anos que o SNQTB está na FECEC e na CEC onde é bem recebido e muito acarinhado. Para desespero dos “pais do regime” e da UGT, este é um dos poucos sindicatos – por acaso, independente e de quadros – que cresce todos os dias. Porque, correspondendo ao sentimento da maioria dos quadros do sector financeiro, não permite que a política partidária interfira na sua vida interna. “Connosco a política partidária fica à porta do sindicato”, dizemos.
Nós somos reformistas. A CEC e a Europa apoiam-nos. Os partidos portugueses, não. Até quando? Portugal não pode parar!
Afonso Pires Diz
Presidente da Direcção do SNQTB
Coordenador da USI


