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O estado de graça
Escrevo esta crónica acompanhando o debate do programa do governo. Eleito e empossado passou a ser o nosso Governo. Tudo o que escrevemos, acerca do famigerado acto eleitoral, ficou para trás. Mais que o presente, é o futuro deste País que nos interessa. Ora o futuro significa, para os que trabalham, mais bem-estar. Não meramente material ou individual, mas sobretudo, social. Isso implica um nível de vida digno e paz entre todos. Para nós ter esperança é acreditar em dias melhores. Porque somos crentes e optimistas convictos, esperamos que Portugal tenha um futuro, no mínimo, de acordo com o seu passado.
Dizer que este Governo é bom ou é mau é atributo de comentadores encartados. Para a União dos Sindicatos Independentes, como confederação sindical, apenas importa o que o Governo fizer de bem para as empresas e para os que nelas labutam, o que abrange patrões e trabalhadores. Se fizer bem, aplaudiremos, certamente. Se fizer mal, criticaremos, naturalmente. Não nos peçam que sejamos neutros. Isso nunca seremos. Seremos, por certo, independentes e justos, o que é muito diferente. Reivindicamos, para nós, o papel de agentes catalizadores das reformas que o país precisa. Ajudaremos naquilo que acharmos benéfico para o povo que trabalha. Resistiremos e estaremos contra os privilégios das corporações (sejam quais forem), dos políticos e dos parasitas.
Definidos e reafirmados os nossos parâmetros de intervenção, desejamos ao Governo as maiores felicidades, para bem de Portugal. Que o seu estado de graça seja longo, mas que isso não seja sinónimo de inacção ou de governo por sondagens. Que trabalhe bem, são os nossos sinceros votos. Lembrem-se, sempre, “a fortuna protege os audazes”.
Afonso Pires Diz
Presidente da Direcção do SNQTB
Coordenador da USI


