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Artigos de Opinião - A Outra Versão
Por Portugal!
Após o procedimento, sem precedentes e ao arredio do espírito da Constituição da República Portuguesa, praticado por Sampaio, o infeliz camarada Presidente, resta ao Povo Português corrigir o dislate “escrevendo direito, por linhas tortas”. Imaginam o charivari que teria sido se, por hipótese e com todo o cabimento, o senhor Presidente da Assembleia da República tivesse recusado a sua dissolução e tivesse levado a questão até ao Tribunal Constitucional? E que, com natural e legítima consonância, o Governo não tivesse optado pela sua própria demissão?! Seríamos, mais uma vez, o escárnio da Europa!
Perante este infausto acontecimento foi manifesta a conduta irrepreensível do estadista impoluto que é o senhor dr. João Bosco Soares Mota Amaral. Que “guardou de Conrado o prudente silêncio” quando muitos de nós teríamos chamado imediatamente a atenção do Povo Português para o nefando atropelo ao regime constitucional.
Foi ditada a dissolução da Assembleia da República a prazo, sem a prévia consulta do Conselho de Estado e sem o acordo da maioria parlamentar. Sampaio praticou um autêntico golpe de Estado. A partir de agora de pouco serve um governo possuír uma maioria absoluta na Assembleia da República. Este era o acto que não podia ser praticado de forma nenhuma, sem que o equilíbrio de poderes constitucionais fosse ferido. Cabia na letra mas não no espírito da nossa Carta-Magna.
E agora? Resta aos portugueses decidirem se querem uma governação a fingir ou autêntica. Isto é, se queremos um governo a governar para e ao sabor das sondagens ou que queira fazer o que tem que ser feito, mesmo que tal implique sacrifícios. Se queremos um governo credível, que não aldrabe as estatísticas do desemprego à custa do crescimento do número de funcionários públicos ou do pagamento e frequência de duvidosos cursos de formação. Se queremos um governo corajoso e activo ou um governo que adie sistemáticamente os problemas e que julga que “o tempo resolve os problemas”. Em suma: se precisamos de um governo autêntico ou de um governo “do faz de conta”. Isto é, e por outras palavras: queremos a segunda – e pior – edição de Guterres ou preferimos um actuante Santana, mesmo com os erros de quem quer fazer?
Na nossa independente opinião e embora de curta duração, o actual Governo foi um dos melhores governos da democracia. Colocado por Sampaio sob fogo permanente, tomou decisões como nenhum e a maioria dos seus membros deverão estar orgulhosos por lhe terem pertencido.
Concluída esta reflexão, resta-nos a acção mais necessária: o voto! Contra os velhos do Restelo, contra as várias maçonarias e corporações instaladas, no dia 20 de Fevereiro de 2005, todos nós, mas mesmo todos, vamos votar por Portugal!
Afonso Pires Diz
Presidente da Direcção do SNQTB
Coordenador da USI


